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Expedição Mistralis vai de Florianópolis até Ilhabela
Texto de: 20/11/2008
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Expedição Mistralis 2008 - Saímos com todas as velas içadas, com ventos fortes e ótima condição para velejarmos a bordo do Mistralis, 30 nós com rajadas de até 40 nós de vento. Com esse vento estamos em casa, mas enfrentar ventos assim, com ondas e com correnteza forte não dá mais! Não, nossa cota já está boa, acho que já pegamos muito vento contra nessa pequena, mas emocionante viagem.

A tripulação era composta por Felipe, Karen e Augusto, que não sabia velejar e teve que aprender em condições de difícil velejo. O leme estava muito difícil e pesado, estávamos com vento pela popa, uma das piores condições de vento possível em um mar de ondas desencontradas. O Mistralis parecia perdido, indo de um lado para outro.

Estávamos fazendo mais de 18 milhas em cada turno de 2 horas, assim chegaríamos na Ilhabela em menos de 2 dias. O Mistralis estava velejando muito bem, nessas horas sim podemos ser felizes e comemorar tudo o que conquistamos e realizamos ao longo de tanto tempo de trabalho.

Depois de 14 horas de vento forte, o mesmo diminuiu para 20 nós e o Augusto já conseguia ficar no leme, depois de ter treinado conosco.

Entrando no Canal de São Sebastião - Eram 11 horas da manhã, conseguíamos ver quase toda a extensão do canal, mas não conseguíamos ir a vante. Cambamos mais de 20 vezes em menos de 2 horas, o vento estava fraco e a correnteza mais forte.

Resolvemos ancorar e esperar melhores condições de vento. Já estou acostumado a entrar em lugares desconhecidos a noite, não tenho o hábito de esperar o dia clarear para ancorar, sempre confiei nas sondas e nas cartas náuticas, mas sempre tive um bom motor.

Tentamos ancorar em dois lugares, mas o vento não ajudou e tínhamos que manobrar entre pedras e o continente, difícil de ser feito de dia, de noite então.

Resolvemos dar a volta na Ilhabela, tarefa que ficaria por conta da Karen e do Augusto. Eu já não conseguia mais ficar no leme, estava muito tonto, cansado e com muita febre, por causa de uma amigdalite.

Assim que passamos a Ilha Toque-Toque o vento foi ajudando um pouco e fazíamos uma curva pela ilha em direção ao canal. Parou de chover e o vento empurrava o barco mais rápido que a correnteza. Nunca em toda minha vida cambei tanto. Antes, quando tínhamos motor, cambar era um sacrifício, agora é apenas uma rotina, uma manobra fácil de ser realizada.

Já estávamos na altura da Praia da Feiticeira quando um navio resolve entrar também no canal, logo um navio! Temos preferência sobre quase todas as embarcações, inclusive sobre navios, mas não dentro de um canal.

O navio passou, mas levou consigo todo o pouco vento que tinha. Ainda bem que durou pouco tempo, mais uma rondada de vento. E assim fomos até perto da Ilha das Cabras, quando outro navio ainda maior resolve entrar no canal, só que dessa vez o vento resolve parar e nos deixa no meio do canal.Com isso temos que manobrar o barco com a correnteza, aproveitarmos cada brisa e encostarmos o barco perto da margem.

Voltou o vento e empurrou um pouco o Mistralis e depois voltamos um pouco para trás com a correnteza forte do canal. Agora tínhamos que ultrapassar as balsas da Ilhabela.

O vento estava nos ajudando, vinha pelo nosso través e conseguíamos ter uma boa velocidade para avançarmos perpendicularmente a balsa. O vento acabou por completo, agora tínhamos a correnteza nos jogando em direção as balsas e nós estávamos de novo no caminho do navio que entrava no canal.

Vimos uma Intermarine de 51 pés e Augusto e Karen começam a acenar para a lancha para pedir ajuda. Ele foi acelerando e acelerando e o Mistralis singrava a 5 nós. Ele foi nos rebocando até a Praia do Pereque, sabíamos que não poderíamos ancorar lá, na carta diz que tem um banco de areia, chegando perto da praia pedimos para parar. Ancoramos na Praia do Pereque para no dia seguinte irmos em direção ao Yacht Club de Ilhabela.

Felipe Caire
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