Waveski - Por
Juliana Ometto
"Abrir portas nunca é fácil. Fazer algo pela primeira vez é mais difícil do que se imagina", afirma Roberta Borsari. A atleta de 32 anos é referência na canoagem feminina brasileira, no kayaksurf, rafting e canoa havaiana.
Roberta é a única mulher, no Brasil, a participar das provas oficiais de kayaksurf, competindo apenas com homens e está entre os 10 melhores atletas da modalidade. A atleta irá representar o país no Mundial de Kayaksurf, que será realizado na Costa Rica, de 22 a 30 de novembro de 2005. O evento irá reunir cerca de 300 atletas de 15 países.
O Radical: Como se sente sendo a única mulher a representar o país no Mundial de Kayaksurf?
Roberta: Com certeza é muito emocionante e uma responsabilidade também. Vou lá fazer meu melhor. Eu moro em São Paulo, na capital e 60% a 70% dos meus treinos são feitos em água parada, pois só vou às praias nos finais de semana.
Portanto quando se obtém um bom resultado numa prova deste porte a vitória tem que ser multiplicada pelo esforço e dedicação que se teve. Vou lá dar o melhor de mim, quero representar bem o meu país e a empresa que eu trabalho e me apóia neste esporte.
O Radical: O que você espera do Mundial desse ano?
Roberta: Este mundial vai ser muito especial, sem dúvida. Primeiro por estar voltando a Costa Rica, que é um lugar mágico, depois de oito anos para representar meu país.
Segundo que vai ser um campeonato muito disputado, os melhores atletas do mundo estarão lá e eu quero trocar conhecimento, aprender, evoluir e manter ou melhorar a minha posição no ranking mundial feminino que atualmente é o 13º lugar.
O Radical Qual é o treinamento especifico para essa prova?
Roberta: Treino diariamente na USP, em São Paulo, fazendo exercícios específicos de explosão e endurance na remada e corrida, sob a supervisão do José Roberto Pupo diretor da Canoar Rafting e Expedições. Nos finais de semana faço os treinos técnicos com meu irmão. Complemento tudo isso com a yoga essencial para o competidor de esportes em geral e principalmente de aventura.
O Radical: Como é competir, no Brasil na mesma categoria que homens? Você já sofreu algum tipo de preconceito?
Roberta: No kayaksurf por exemplo, não temos uma categoria feminina, tenho que competir com homens e muitas vezes estou entre os três primeiros. Se você está bem preparado, tem uma técnica apurada e treina bastante, com certeza obtém bons resultados.
Preconceito nunca senti, nem direta nem indiretamente. Muito pelo contrário, sempre tive o respeito dos competidores e dos amigos também, mas tenho que confessar que os rapazes não gostam de perder de mim.
O Radical: Qual é seu objetivo profissional?
Roberta: Nos últimos três anos tenho me dedicado ao kayaksurf, esporte que no Brasil ainda tem muito que evoluir e que lá fora está crescendo assustadoramente, com contínuos lançamentos de equipamentos por parte dos grandes fabricantes e o número crescente de praticantes e atletas nas competições.
É a modalidade da canoagem que tenho mais condições de projeção internacional e é a que me dedico mais para as provas internacionais. Mas não vivo do esporte, sou designer e trabalho no UOL, que é também meu patrocinador, uma empresa que me apóia como funcionária e atleta.
O Radical: O que falta para a modalidade crescer no Brasil?
Roberta: O Brasil é um país que tem uma costa enorme e maravilhosa, ou seja, o ambiente ideal para a pratica do esporte. Algumas empresas nacionais já investem em equipamentos para iniciantes, para que o esporte comece a popularizar, mas ainda falta muita coisa, incentivo da confederação e empenho por parte das pessoas envolvidas no esporte. Mas isso não vejo só no kayaksurf.
O Radical: Qual é seu maior incentivador?
Roberta: Meu maior incentivador sem dúvida é meu irmão Maurício, ele é meu parceiro na água, meu técnico e com que mais posso contar neste esporte. Sempre praticamos estes esportes juntos e no kayaksurf o conhecimento dele é essencial. O Maurício já surfou em todos os principais picos de surf do mundo e me passa toda a técnica do surf para eu aplicar na canoagem.